Desde que me lembro de ser gente, que a época do Natal é a mais relevante do ano. Ao contrário do que algumas pessoas pensam sobre esta época, pelo seu lado comercial, eu via e ainda vejo de outra forma: era a ânsia que chegasse o mês de Dezembro para ver as ruas e lojas iluminadas; a “construção” da árvore de Natal lá em casa – que eu exigia sempre que fosse artificial para não prejudicar a natureza! Já eram os meus sonhos de mudar o mundo a vir à superfície.
Adorava a véspera do dia 25, em que em conjunto com o meu irmão tentávamos descobrir onde é que o Pai Natal tinha escondido os presentes! Sim, porque eu acreditava no senhor de barba branca que vive infinitamente na Lapónia. E enquanto os meus pais e familia colocavam freneticamente os presentes na árvore de Natal, eu e o resto da criançada ficávamos “aprisionados” numa varanda, avisando-nos para olharmos com atenção para o céu estrelado e tentar ver o Pai Natal passar com as suas renas. E lá ficávamos meio-embrigadados com aquela ideia e confundíamos estrelas ou aviões com o trenó, e ficávamos tristes porque não tínhamos ido a tempo de ver o Pai Natal.
Quase, quase às 24h, éramos “libertados” da varanda e lá íamos eufóricos ter com os adultos, perguntávamos como é que o Pai Natal era: se era simpático, rechonchudo, etc. E começava a azáfama da abertura das prendas onde só se ouvia o rasgar dos papéis de embrulho ou “queria tanto ter isto!”, “vou levar esta boneca para a escola e meter inveja às outras meninas”.
E foi sempre assim, até chegar à adolescência, em que o Natal continuava a ser a minha época favorita. A única diferença é que jão não acreditava no Pai Natal...
O Natal foi sempre a altura em que estávamos sempre juntos – os meu pais e eu – em que a minha mãe passava (e ainda passa!) o dia a fazer doces, desde os bolinhos de bolina, rabanadas, arroz doce, leite creme, tronco de Natal de cenoura, coberto de chocolate. Para além do prato principal: o bacalhau cozido!
A parte da abertura dos presentes já não tinha aquela excitação, mas confesso que fcávamos algo ansiosos. A mim calham-me sempre paninhos, meia, biblôts....vê-se mesmo que as pessoas não me conhecem; mas compensava com os presentes dos meus pais que sabem o que gosto e lembro-me de há 1 ou 2 Natais atrás, terem-me oferecido a bibliografia de Dostoievky e o filme “O Pianista”. Eram presentes que enchiam-me a alma.
Este ano foi diferente...sinto que não houve Natal. Foi um dia igual aos outros...Eu não estava feliz e tive de ir para um “refúgio” onde pudesse curar essa tristeza, essa melancolia. E estive sozinha este Natal: sem a azáfama dos doces, sem árvore de Natal, sem prendas, sem companhia. Quando me deitei, já a sofrer os efeitos dos sedativos, escorriam-me lágrimas pelos olhos e senti-me a pessoa mais só em todo o mundo, “aprisionada” neste quarto..
A vida passa rápido demais, não há tempo para saborear nada, para estar com as pessoas que amamos e o Natal concentrava tudo isto: a delícia de estar vivo, o prazer de estar com as pessoas mais importantes da nossa vida. O Natal era uma das épocas que me dava mais prazer de viver...e este ano passei-o sozinha.
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