terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Desabafo - Parte I

Apetece-me desabafar sobre mim. Acho que chegou a altura.
Estou a passar um mau momento na minha vida. E porquê? Essencialmente por 3 razões:
1)      Estou farta de lidar com maldade, hipocrisia, crueldade, cinismo...e não sei mesmo lidar com isto. Fico doente só de pensar que vou ter de enfrentar alguém ou uma situação que envolva estas atitutes;
2)      Estou “apaixonada” – mais por uma ideia da pessoa do que pela própria pessoa, mas o que hei-de fazer?! – e mais uma vez é uma paixão não-correspondida. E melodramática como sou, ando a sofrer horrores, tal como uma protagonista de novela...
3)      E finalmente porque tenho um feitio tipicamente depressivo e sinto tudo a quadriplicar. Algo que para uma pessoa qualquer seria de resolução simples, para mim é um drama.

Acima de tudo, sou uma pessoa muito intensa, apaixonada por tudo aquilo que realmente gosto: desde um homem, aos amigos, a um livro, a um filme, a uma música, a um artista, a uma cidade...Acho que tudo começou quando tinha 9 anos e vi pela primeira vez um videoclip do George Michael – “Careless Whisper” – e as minhas hormonas dispararam como loucas! Desde então decidi perseguir todos os meus objectivos, sonhos e desejos...e assim foi. Passei a ser a “rainha do recreio”! Eu é que comandava as tropas no colégio, quando encenávamos os nossos pequenos teatros ou musicais. Eu era sempre a Rafaella Carra!! Lembram-se desse ícone sexual Italiano que marcou a década de 80? Olha, dava um bom cromo para a rubrica do Markl!
Desde essa idade, 9/10 anos, a música assumiu um papel importantíssimo na minha vida. Principalmente os Wham! Ai de quem insultasse o meu George Michael e ofendesse a sua orientação sexual, que eu sempre tive a convicção que era bem macho...até ao despertar para a realidade há poucos anos, quando o meu ícone musical foi apanhado com as calças nas mãos num WC público. Mas o amor continua, no matter what. O homem é um dos melhores cantores de sempre e ponto final parágrafo.
A minha adolescência teve muitas paixões platónicas por artistas...(daí agora a minha inexperiência com homens “de carne e osso”!): desde o Starbuck da série Galáctica, aos Bros, ao Morrissey...enfim nem me vou alongar mais porque a minha reputação já está mais que manchada!
E finalmente chegou o ano de 1993, a entrada na Universidade, a suposta fase das festanças nas Queimas das Fitas, das bebedeiras, do desfilar no traje académico....mas nada disso: voltei-me novamente para o mundo dos sonhos e “apaixonei-me” por 5 rapazolas Ingleses que andavam a arrasar corações pela Europa inteira: os Take That. Obviamente que fui motivo de chacota milhares de vezes, mas eu queria lá saber! Este era agora o meu objectivo: viver aquela paixão incompreendida por todos e fazer a vida negra aos meus pais que tinham de levar com um quarto forrado a posters de tipos de tronco nú, e de ver vídeos (em VHS!) em loop 550 mil vezes! Até que a paixão foi longe demais e assumiu uma espécie de missão, de objectivo a cumprir: partir em busca dessa paixão. E lá parti para Londres, a cidade que é até hoje o sítio do meu coração.
Pelos Take That parti para Londres, deixando os meus pais destroçados. Mas foi tudo maravilhoso! Foi 1 ano de aventuras, experiências únicas! Talvez o melhor ano da minha vida. E tudo mudou em mim. Tornei-me ainda mais “apaixonada” pela vida, mais lutadora, sonhadora, sempre a estabelecer objectivos e a cumpri-los. Era tão feliz...
Mas tive de regressar à “realidade”, i.e. a Portugal. E tudo mudou.
Depois de algumas peripécias profissionais, depois de conseguir finalmente trabalhar no mundo que eu sempre sonhei: a música e ter vivido num “sonho encantado” durante algum tempo, a triste realidade bateu-me à porta e o meu mundo sucumbiu.
Descobri que a vida não é sempre aquilo que sonhamos e desejamos...descobri que há seres-humanos cruéis, que vivem do prazer de ver os outros sofrer...descobri que vivemos num mundo-cão em que cada um luta para ter protagonismo dê por onde der....descobri a maldade, o cinismo, a hipocrisia, a falsidade...e descobri que não podemos abrir o nosso coração a qualquer pessoa porque ela poderá destruir-nos.

E o amor? O que hei-de dizer de um sentimento que mal conheço mas que só me tem trazido desilusões? E aqui assumo a minha culpa: a de me entregar facilmente, a de achar que amando, também seremos amados, de achar que ao abrir o coração, a pessoa virá a correr para os nossos braços. Mas não é nada disso. Temos de dar tempo até perceber se a outra pessoa está em sintonia conosco e acima de tudo se nos merece (esta foste tu Carla Alves, que me disseste milhares de vezes!). E só depois, quando percebermos que a outra pessoa quer mesmo estar do nosso lado, quando o demonstra, é que podemos abrir um bocadinho do coração...e depois com o tempo veremos se vale a pena abrir por completo.

Eu sou assim...demasiado apaixonada. Como se fosse a protagonista duma história de Almodóvar, levando os sentimentos a extremos, lutando por eles com todas as minhas forças...e sofrendo com eles.

E este foi apenas um pedacinho do meu desabafo...

1 comentário:

  1. E bom escreveres o que sentes!!! Falares do que queres do que foste, do que não queres!! Acho apenas que tens por aqui u
    texto a mais. Não preciso dizer qual!!! Adorei os poemas!! Gosto de ti!!! Abraço te!!! Carla

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